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Esfaqueamento em bairro judeu de Londres, em Golders Green, é classificado como ato terrorista

Pessoas em vigília numa rua ao entardecer, junto a velas e flores, com polícia e fita de cena do crime.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel considerou, numa publicação na rede social X, que "O Governo britânico já não pode afirmar que a situação está sob controlo", sublinhando que, recentemente, a comunidade judaica de Londres tem sido repetidamente visada por ataques. A tomada de posição surge após um esfaqueamento num bairro judeu de Londres, esta quarta-feira, em que duas pessoas ficaram feridas.

Esfaqueamento em Golders Green, Londres, e classificação como ato terrorista

De acordo com a Polícia Metropolitana de Londres, o alerta foi comunicado às 11h16 locais (mesma hora em Lisboa), depois de haver relatos de várias pessoas esfaqueadas na Highfield Avenue, em Golders Green. Trata-se de um bairro no norte da capital britânica com uma significativa comunidade judaica, onde existe também uma sinagoga. O incidente foi entretanto classificado como um ato terrorista pela polícia.

As vítimas, segundo a polícia britânica, foram um homem com cerca de 30 anos e outro na casa dos 70, ambos esfaqueados em Golders Green.

As primeiras referências públicas ao episódio foram avançadas pela Shomrim, organização de segurança ligada à comunidade judaica, que descreveu ter atuado depois de ter sido observado "um homem a correr pela Golders Green Road, armado com uma faca, tentando esfaquear transeuntes de origem judaica".

"A Shomrim reagiu imediatamente e deteve o suspeito. A polícia chegou ao local e utilizou um 'taser'. O homem já foi detido", indicou a organização.

Para a ocorrência foram mobilizados agentes da polícia, incluindo unidades armadas. O suspeito acabou por ser imobilizado com uma pistola de choque elétrico ('taser') e detido, após ter tentado esfaquear agentes policiais.

Antecedentes: incêndios e tentativas de fogo posto ligados à comunidade judaica

Nas últimas semanas, tinham já sido registados vários incêndios e tentativas de fogo posto em locais associados a esta comunidade no noroeste de Londres, sem que, até ao momento, esses episódios tivessem provocado feridos.

O primeiro destes ataques antissemitas foi reportado no final de março, quando várias ambulâncias da Hatzola (organização voluntária de serviços médicos de emergência da comunidade judaica) foram incendiadas. Depois, verificaram-se novos incidentes: um dirigido a uma sinagoga no bairro de Harrow e outro contra as instalações de uma instituição de caridade judaica.

Este conjunto de acontecimentos agravou a preocupação da comunidade judaica no Reino Unido, já marcada pelo ataque a uma sinagoga em Manchester, a 2 de outubro de 2025, no qual morreram dois fiéis e três pessoas ficaram gravemente feridas.

Entretanto, o Presidente israelita, Isaac Herzog, afirmou na rede social X que "Numa das principais capitais ocidentais, é agora perigoso andar na rua sendo judeu", dizendo-se "horrorizado com o inaceitável ataque". "É tempo de o mundo acordar e combater esta onda de ódio contra os judeus por todos os meios possíveis", acrescentou.

Consternação generalizada

Interpelado no parlamento sobre o caso, durante o habitual debate semanal com os deputados, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o ataque como "profundamente preocupante".

O chefe do Governo garantiu estar "absolutamente claro" quanto à determinação das autoridades britânicas em enfrentar este tipo de agressões, salientando que têm ocorrido "com demasiada frequência nos últimos tempos".

Também o presidente da Câmara Municipal de Londres, Sadiq Khan, condenou o "ataque repugnante contra dois londrinos judeus" e agradeceu aos "heroicos voluntários da Hatzola e da Shomrim pela sua resposta rápida a este terrível incidente".

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