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Nova sonda NASA IMAP começa a mapear o escudo do Sol e a vigiar tempestades de partículas

Sonda espacial dourada a circular no espaço com planetas e anéis brilhantes ao fundo.

Uma nova sonda da NASA começou a seguir correntes de partículas capazes de tornar perigosa uma grande erupção solar, ao mesmo tempo que traça um mapa do escudo do Sol.

Esta combinação liga avisos de tempestades de curto prazo nas proximidades da Terra ao limite distante que ajuda a travar a radiação mais severa vinda do espaço profundo.

Observar o limite

A partir de um ponto de observação entre a Terra e o Sol, as correntes de partículas que chegam da extremidade exterior desse escudo revelam como ele está estruturado.

Ao estudar essas chegadas, David McComas, da Universidade de Princeton, lidera a Sonda de Mapeamento e Aceleração Interestelar (IMAP) na reconstrução de um limite que não pode ser observado directamente.

As partículas que regressam transportam pistas sobre a direcção, permitindo seguir regiões afastadas desse limite com medições feitas perto da Terra.

Essa reconstituição torna mais evidente onde a protecção do Sol pode enfraquecer, reforçando a necessidade de compreender de que forma esse limite se forma e como se altera ao longo do tempo.

Como se forma o escudo

Essa fronteira envolve a heliosfera, a enorme bolha criada pelo fluxo de matéria do Sol, e estende-se muito para lá de Neptuno.

Um fluxo constante, conhecido como vento solar - gás carregado que se propaga para o exterior a partir do Sol - empurra essa bolha contra o material existente entre as estrelas.

Como todo o sistema solar se desloca através da Via Láctea, a pressão varia e, com isso, a bolha curva-se e estreita-se.

Estas variações são relevantes porque o ambiente de radiação da Terra depende, em parte, da capacidade desse escudo exterior manter a sua forma.

O que as missões antigas observaram

As sondas Voyager atravessaram essa fronteira em 2012 e 2018, mas cada passagem forneceu apenas uma leitura limitada.

Outra missão, o Explorador da Fronteira Interestelar (IBEX), começou a esboçar o limite à distância; ainda assim, as suas imagens deixaram grandes áreas por preencher e desfocaram detalhes mais finos da estrutura.

Segundo documentos da missão, a IMAP consegue obter imagens dessa região com uma resolução 30 vezes superior e com cobertura muito mais rápida do que a desse explorador anterior.

Mapas mais nítidos deverão transformar indícios isolados num levantamento coerente da fronteira - e é aí que a missão se torna particularmente valiosa.

Ler átomos em trajectórias rectas

A sonda interpreta esse limite invisível através de átomos neutros energéticos, partículas rápidas que seguem em linha recta depois de perderem a carga eléctrica.

Muitos começam como partículas solares carregadas; depois, ao colidirem com matéria interestelar, regressam para o interior sem que campos magnéticos as desviem.

Como as trajectórias se mantêm maioritariamente rectas, os detectores podem reconstruir o caminho a partir de cada impacto e apontar para regiões de origem distantes.

Este método permite aos investigadores analisar um local muito além de qualquer visita humana previsível, permanecendo ainda assim perto da Terra.

Melhorar os alertas de meteorologia espacial

A partir de uma posição entre a Terra e o Sol, a IMAP recolhe amostras do vento solar antes de este chegar.

Estas leituras alimentam agora o sistema Ligação Activa IMAP para Tempo Real, que dá suporte a previsões de meteorologia espacial.

“A missão IMAP vai fornecer informação muito importante para viagens ao espaço profundo, onde os astronautas estarão directamente expostos aos perigos do vento solar”, disse McComas.

Uma janela de aviso de cerca de 30 minutos é curta à escala humana, mas é valiosa para operadores de naves, equipas técnicas e serviços de previsão.

Quando as tempestades atingem

Partículas solares rápidas podem sobrecarregar sistemas electrónicos, baralhar comunicações e aumentar as doses de radiação, sobretudo quando os astronautas deixam o campo magnético da Terra.

Previsões melhores ajudam gestores de redes eléctricas, equipas de satélites e controladores de missões a tomar decisões diferentes quando chegam nuvens carregadas.

Uma erupção solar violenta é apenas uma das fontes de perigo, mas a IMAP contribui para seguir o ambiente mais amplo de partículas que envolve estes episódios.

Esse enquadramento mais abrangente pode tornar os alertas menos reactivos e mais direcionados, algo importante à medida que a exploração se afasta mais da Terra.

Detecção de poeira interestelar

A IMAP também detecta poeira interestelar, grãos minúsculos vindos de fora do sistema solar, cada um com dimensão inferior à de um grão de areia.

Alguns grãos transportam material rochoso, enquanto outros são ricos em carbono deixado para trás depois de estrelas explodirem e arrefecerem.

A composição elementar ajuda os cientistas a perceber que regiões da galáxia enviaram esse material para o interior.

Isto acrescenta um segundo mapa à missão: não só do nosso escudo, mas também do “bairro” que o pressiona a partir do exterior.

Dez instrumentos a trabalhar em conjunto

Em vez de perseguirem uma única questão isolada, os dez instrumentos actuam de forma integrada, permitindo ligar tempestades, limites e poeira numa mesma leitura científica.

Três concentram-se nos átomos usados para mapear a fronteira; outros acompanham partículas e campos magnéticos; e outro recolhe amostras de poeira directamente.

Uma equipa internacional, distribuída por 27 instituições parceiras, mantém o fluxo de dados, evitando que as descobertas dependam apenas de um único detector.

Esta arquitectura reduz pontos cegos e dá aos investigadores várias formas de confirmar se um sinal invulgar é, de facto, real.

Início da missão científica

Depois do lançamento, a 24 de setembro de 2025, a sonda chegou à sua posição em janeiro e iniciou operações científicas completas a 1 de fevereiro.

As primeiras medições já estão a regressar do observatório, abrindo caminho para os mapas mais detalhados prometidos antes do lançamento.

Os cientistas podem agora observar como a actividade variável do Sol se propaga para o exterior, em vez de aguardarem anos por indícios dispersos.

Este calendário é importante porque a fronteira reage à actividade solar, e a missão está finalmente no local certo para a captar.

Importância da missão

A IMAP junta as travessias da Voyager, os mapas da fronteira e a monitorização solar em tempo real numa descrição integrada de como o Sol influencia o nosso lugar no espaço.

À medida que a missão avança, os seus mapas poderão melhorar os avisos de meteorologia espacial e tornar mais precisas as estimativas de quanta radiação externa o nosso sistema consegue bloquear.

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