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Para o inverno, a Lidl lança um aparelho poupador de energia recomendado por Martin Lewis, mas alguns clientes dizem que beneficia quem gasta energia em excesso.

Mulher sentada no chão junto a aquecedor, consulta conta e ajusta termóstato digital em sala iluminada.

Numa terça-feira chuvosa, a fila para o corredor do meio do Lidl tem aquele ambiente de “evento” que já é quase tradição - casacos encharcados, crianças a pedir snacks, e alguém a discutir se o húmus barato pode ser mesmo bom. De repente, uma senhora tira uma caixinha branca do carrinho e um homem atrás inclina-se logo: “Isso é o aparelho do Martin Lewis, não é?”

Há mesmo quem pare para olhar.

Na caixa: um medidor de energia de tomada, daqueles que o Martin Lewis recomenda há anos no MoneySavingExpert e em segmentos de televisão - uma promessa por £12,99 para “ver quanto custa cada aparelho”. E chega mesmo a tempo de mais um inverno caro.

Mas os comentários começam quase tão depressa como o entusiasmo.

Um cliente chama-lhe “genial”. Outro resmunga que “só ajuda quem andou a gastar eletricidade à grande durante anos”.

O aparelho ainda nem chegou à caixa e já levantou uma pequena tempestade discreta.

Lidl’s new ‘Martin Lewis’ energy gadget: hype, hope and side-eye in the aisle

O mais recente Specialbuy do Lidl não tem ar de grande novidade. Nada de cores chamativas, nada de Bluetooth, nada de app. É apenas um medidor de tomada, robusto, que fica entre a tomada e o aparelho e mostra, em tempo real, quanta eletricidade aquele equipamento está a consumir.

O que muda desta vez é o nome que lhe colam. Os funcionários vão-lhe chamando, com naturalidade, “o gadget do Martin Lewis”. Muita gente reconhece o conceito dos programas e newsletters dele, onde insiste nos monitores de energia como forma de domar contas fora de controlo. Quando um supermercado dá espaço de prateleira a algo que ele defende há tanto tempo, as pessoas reparam.

Para muitas famílias a sentir o aperto, um dispositivo que promete revelar “o que está a drenar a conta às escondidas” soa menos a gadget e mais a salva-vidas.

Um pai de polar, a olhar para o telemóvel enquanto segura a caixa, resume bem o apelo: “Ele não dizia que isto ajuda a apanhar os aparelhos ‘vampiro’?” Fala meio para a parceira, meio para quem estiver por perto. Começam logo a listar suspeitos: a velha máquina de secar, a consola sempre em standby, o aquário que borbulha dia e noite.

O timing do Lidl é certeiro. Os preços da energia podem ter descido dos picos assustadores, mas os débitos diretos continuam pesados. Muita gente nunca recuperou totalmente daquele primeiro inverno de choque nas faturas. O corredor do meio, que antes era só meias de ski baratas e ferramentas aleatórias, tornou-se discretamente uma zona de “sobrevivência”. Air fryers. Mantas elétricas. Desumidificadores. E agora, um medidor de energia ao estilo Martin Lewis.

Há uma sensação silenciosa na loja de que comprar um não é apenas para poupar. É para se sentir um pouco menos impotente.

A tensão vem de uma pergunta simples: a quem é que este aparelho ajuda, de facto? Em teoria, é fácil - liga, testa os aparelhos, corta nos piores, ganhas. Mas alguns clientes verbalizam algo mais desconfortável. Dizem que quem ganha mais é quem já andava a manter dois frigoríficos, a secar cargas mínimas todos os dias, a deixar televisões enormes ligadas pela noite dentro.

Famílias que já racionam a máquina de lavar, partilham uma televisão antiga e vivem de camisolas grossas… que “desperdício escondido” é que ainda lhes sobra para descobrir? O consumo é baixo porque a vida já encolheu.

Daí este subtexto moral estranho: será que, no fundo, o gadget “recompensa” quem era gastador, enquanto quem foi cuidadoso durante anos paga outra vez por uma ferramenta que talvez já não tenha muito por onde cortar?

How the gadget actually works - and where it really helps

Tirando o barulho à volta, o medidor do Lidl é, no essencial, uma ferramenta de diagnóstico simples. Liga-se à tomada e depois liga-se o aparelho ao medidor. No visor aparecem leituras: watts, quilowatt-hora e, depois de inserir a tua tarifa, um custo estimado por hora ou por utilização.

Bem usado, funciona como um holofote. Em vez de adivinhares qual é o “culpado”, passas a ter números. Aquele frigorífico velho na garagem só para bebidas? Ficas a saber exatamente quanto engole por dia. A máquina de secar que “só se usa um bocadinho”? Vês quanto custa esse “bocadinho” numa semana húmida de novembro.

O mais forte é a resposta imediata. Ligas um aparelho. O número salta. Sentes a diferença no estômago.

A maior armadilha é tratá-lo como brinquedo durante dois dias e depois enfiá-lo numa gaveta, ao lado de outras compras “cheias de esperança” do corredor do meio. Testas a chaleira, a TV, talvez o micro-ondas, comentas com alguém “olha que curioso” e segues a tua vida.

O verdadeiro valor aparece quando o uso é mais implacável. Testa a arca extra cheia de comida “para o caso de”. Deixa um estendal elétrico ligado uma tarde e compara com a máquina de secar para a mesma carga. Faz uma comparação direta do custo do forno vs air fryer para o jantar mais repetido da família.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas até um fim de semana bem focado pode mudar a forma como usas certos aparelhos durante anos.

No centro do debate do Lidl está uma frustração silenciosa de quem sente que já fez tudo “como mandam”. Cortaram, vestiram mais uma camada, desligaram o que dá para desligar. Já não há “vampiros”, só o básico para a casa ser habitável.

A mensagem do Martin Lewis sobre medidores de energia é bastante direta: o objetivo não é premiar o desperdício, é mostrar a realidade. Há casas que descobrem que um segundo frigorífico está a engolir £150 por ano praticamente para nada. Outras confirmam que, sim, o seu consumo já está no mínimo possível. As duas respostas contam, mesmo que só uma dê grandes poupanças.

  • Best use case: Households with lots of older appliances or “always-on” tech.
  • Still useful for careful users: Peace of mind that there’s no big hidden drain.
  • Biggest saving: When the gadget prompts you to ditch or unplug something permanently.
  • Most overrated use: Obsessing over kettle seconds instead of major appliances.
  • Quiet benefit: It turns “energy chat” into something the whole household can actually see.

A £12.99 gadget, a bigger question about fairness

O lançamento do Lidl, e o facto de estar a ser enquadrado de forma informal em torno das recomendações antigas do Martin Lewis, cai num país onde as pessoas estão cansadas. Cansadas das contas, cansadas dos sermões, cansadas de ouvir “consuma menos” quando já sentem que estão a raspar o fundo.

É por isso que uma pequena caixa de plástico no corredor do meio pode mexer com tanta coisa. Uns veem ali uma hipótese de controlo: gastar pouco para finalmente perceber, com clareza, para onde vai o dinheiro cada vez que se acende um interruptor. Outros veem mais um produto que lhes empurram para sobreviver num sistema que já parece montado contra eles.

Todos já passámos por esse momento: estás no supermercado com um produto na mão, a prometer um bocadinho de alívio, e perguntas-te se é sensatez ou desespero.

A verdade nua e crua é que este tipo de aparelho vai sempre ajudar mais umas casas do que outras. Uma casa grande, cheia de tecnologia, com adolescentes, consolas, frigoríficos extra e gadgets “comilões” tem muito mais “gordura” para cortar do que um T1 onde quase tudo já é LED e o aquecimento está nos 18°C por necessidade - não por virtude.

Isso não torna a ferramenta má; só expõe uma injustiça maior por baixo: quem tem menos margem para cortar é muitas vezes quem se sente mais perseguido por cada novo gadget que “devia” comprar para poupar. Passam por pilhas de medidores, air fryers e termóstatos inteligentes e ficam com a sensação de que a única forma de baixar a fatura é mais uma compra que não conseguem bem justificar.

Há uma ironia silenciosa em precisar de dinheiro sobrante para participar a sério em “poupar dinheiro”.

Ainda assim, as conversas naquele corredor do Lidl não são irrelevantes. Quando desconhecidos trocam dicas sobre qual aparelho mais os chocou no medidor, ou quando alguém conta que desligar uma arca antiga cortou £20 por mês, isso quebra um pouco a solidão que as faturas de energia criam.

Também é um lembrete de que ferramentas são só isso: ferramentas. Um medidor de energia não quer saber se uma casa era gastadora ou se é cuidadosa há anos. Ele ilumina tudo com a mesma luz dura. O julgamento moral que as pessoas acrescentam é humano - nascido de anos a ouvir “tenta mais” enquanto os preços subiam para lá do controlo de qualquer um.

Para alguns, este gadget do Lidl será um pequeno ponto de viragem. Para outros, vai apenas confirmar que já fizeram tudo o que podiam. As duas histórias merecem ser ouvidas, sobretudo quando o inverno volta a aproximar-se e toda a gente - do Martin Lewis à pessoa à tua frente na caixa - só está a tentar manter as luzes acesas sem perder a cabeça.

Key point Detail Value for the reader
How the gadget works Plug-in meter showing real-time energy and cost per appliance Gives clear data to cut through guesswork about “expensive” devices
Who benefits most Larger or tech-heavy homes with older, always-on appliances Helps identify big savings that come from changing or ditching specific items
What careful users gain Confirmation that usage is already lean, plus small optimisations Peace of mind and a sense of control over rising bills

FAQ:

  • Is the Lidl energy gadget officially endorsed by Martin Lewis?Martin Lewis has long recommended plug-in energy monitors as a category, not specific supermarket versions. The Lidl device follows the same principle he promotes, but it isn’t a branded collaboration.
  • Can this gadget really lower my bills on its own?The meter itself doesn’t save money. The savings come if you act on what it shows – unplugging “vampire” devices, changing how often you use certain appliances, or replacing very inefficient ones.
  • Is it worth buying if I already live very frugally?If your usage is minimal, you may not find huge hidden costs. What you get instead is clarity and maybe a few small tweaks, plus reassurance that the problem lies more with prices than with your habits.
  • Does it work on every appliance in the house?It works with standard plug-in appliances: fridges, freezers, TVs, consoles, kettles, dryers, heaters. It doesn’t connect directly to hard-wired systems like built-in ovens or central heating boilers.
  • Is this just rewarding people who’ve been wasteful?It can deliver the biggest savings to homes that had a lot of hidden waste, which feels unfair to careful households. At the same time, it exposes that waste and encourages better habits, which benefits everyone in the long run.

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