RASI e SIS assinalam subida de violência “antissemita” ligada a Israel
O mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), citado pela Polícia Judiciária, dá conta de um “agravamento” de atos de violência de cariz “antissemita” dirigidos a entidades oficiais e privadas com ligação ao Estado de Israel.
Segundo o mesmo relatório, estas “ações ilícitas” não se limitaram a instituições: atingiram igualmente cidadãos e empresas de Telavive, bem como a comunidade judaica em Portugal.
De acordo com a informação oficial, esta violência é atribuída a coletivos associados à denominada extrema-esquerda que apoiam a causa da Palestina.
No RASI, o SIS acrescenta que, em alguns protestos promovidos por estes ativistas, ocorrem "atos de vandalismo", "proclamação de mensagens antissemitas" e campanhas de "pressão e intimidação" dirigidas a entidades pró-Israel.
O aumento desta hostilidade contra instituições judaicas em Portugal tem-se intensificado à medida que o conflito no Médio Oriente se agravou.
Centro Cultural Judaico de Lisboa visado por mensagens de ódio
O Centro Cultural Judaico de Lisboa tem surgido como um alvo frequente de mensagens de ódio, incluindo frases pintadas nas paredes contra o Estado de Israel.
Luciano Waldeman, fundador do centro Rua da Judiaria, disse à "SIC Notícias", em junho do ano passado, que a cada duas semanas "aparece alguém que tenta arrancar da parede a Estrela de Davi", símbolo judaico em forma de estrela de seis pontas.
Nas paredes exteriores do centro, foram colocados autocolantes e mensagens escritas a apelar ao boicote a Israel e contra os israelitas, incluindo "Vocês não são bem-vindos a Portugal" e "Morte a Israel". Entre outras frases pintadas, surgiu "Free Gaza", mas também expressões de ódio contra judeus, como "assassinos de crianças".
MP arquiva suspeita de antissemitismo em Coimbra
Na mais recente edição, o Expresso noticiou que a Provedoria de Justiça apontou “lacunas graves” à Universidade de Coimbra (UC) na forma como respondeu às queixas apresentadas por um estudante israelita de doutoramento, que denunciava a existência de manifestações antissemitas no campus.
Num despacho datado de 27 de março de 2026, o provedor-adjunto, Ravi Afonso Pereira, considerou que a UC adotou uma postura de “fundamental passividade”, não tendo tomado “providências para prevenir, mitigar ou resolver a situação”, e indo ao ponto de incorrer na “violação dos direitos fundamentais” do queixoso.
A origem do caso está em junho de 2024. Nessa altura, Bar Harel, então doutorando em Engenharia Informática na UC, reportou junto da provedora do Estudante a distribuição e afixação de panfletos com conteúdo supostamente antissemita dentro da universidade. O ofício da Provedoria menciona ainda um e-mail da provedora do Estudante dirigido aos Serviços de Ação Social da UC, no qual se refere que Harel “precisava de ‘tratamento médico’ e que poderia ‘causar [à UC] problemas’”.
Foi este “ambiente de ameaça”, como o próprio descreveu ao Expresso, que o terá levado a abandonar o doutoramento em outubro de 2025. Ainda assim, já em janeiro desse ano Harel tinha levado o assunto à Provedoria de Justiça, que, por sua vez, pediu esclarecimentos à UC. Na resposta enviada, a universidade afirmou ter removido os cartazes do campus e sustentou que não avançou com outras medidas por o estudante não ter apresentado “informação concreta que habilitasse qualquer atuação da Universidade”.
Também ao Expresso, a Procuradoria-Geral da República indicou que o processo foi arquivado pelo DIAP de Coimbra. De acordo com o gabinete de comunicação da PGR, "confirma-se que o inquérito conheceu despacho de arquivamento". E o mesmo aconteceu com mais dois inquéritos ligados ao mesmo processo: "despacho de arquivamento".
[notícia atualizada com informações recentes da PGR]
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